O mercado da moda
Adicionado : 3/2/2010

País movimenta uma indústria próspera na criação de roupas. Santa Catarina tem bons exemplos no setor

FLORIANÓPOLIS - A moda é uma incógnita para muitos brasileiros. Alguns consideram pura futilidade as regras de um mercado que incentiva o consumidor a trocar as roupas do armário a cada seis meses. Mas a moda é mais que isso: é um produto direto da cultura de um país e movimenta uma indústria próspera, com forte geração de empregos. E Santa Catarina tem bons exemplos neste mercado.

Um deles é a catarinense AMC Têxtil, dona de grifes como Colcci e Forum. Enquanto a Colcci é uma grife mais jovem, a Forum é voltada a um público consumidor adulto e com maior poder aquisitivo.

Mas o que une as duas marcas é o modo de fazer marketing. Ambas são representadas por duas das mais importantes modelos do mundo. A Colcci tem como garota-propaganda a top model Gisele Bündchen e a Forum faz suas campanhas com a britânica Kate Moss.

Embora incipiente, a cultura de moda brasileira avança a passos largos. Pesquisa anual realizada pelo Global Language Monitor (empresa que monitora as palavras mais buscadas na mídia e na internet) aponta São Paulo como uma das 10 cidades mais influentes para o mercado mundial de moda, ao lado de nomes como Nova York, Paris e Milão.

E os compradores estrangeiros estão de fato cada vez mais interessados nas roupas e acessórios produzidos por aqui. A Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), trouxe ao país 35 compradores internacionais em junho do ano passado. O número de pré-pedidos foi 25% maior do que na edição passada. Quem mais comprou foi o Oriente Médio e a Índia.

– O comprador quer produtos que fujam da massificação. São atraídos pelas matérias-primas naturais, pelas interferências manuais nas peças e pela sustentabilidade na produção – comenta Rafael Netto, diretor-executivo do Texbrasil, programa da Associação Brasileira da Industria Têxtil e de Confecção (Abit).

Lá fora, o Brasil se destaca pela moda festa, linha praia e lingerie. Além de exportar moda, o Brasil é visto como o melhor mercado consumidor de vestuário entre os 20 países emergentes analisados por uma pesquisa da empresa de consultoria A.T Kearney.

– O país é muito promissor para investimentos em vestuário – garante Markus Stricker, vice-presidente da A.T Kearney na América do Sul.

Para se ter uma ideia, em 2008 quase 20 marcas internacionais de luxo iniciaram as operações no Brasil. Para os próximos cinco anos, a previsão é que mais de 50 abram lojas por aqui.

Outro atrativo brasileiro está no fato de o país ser hoje um dos poucos a dominar todas as etapas do processo de produção, que vai do tratamento da matéria-prima, passando pela produção do fio e a elaboração de diferentes tecidos, com inúmeras tecnologias.

Um entrave, no entanto, é a qualidade da mão de obra.

– Temos de nos esforçar para fazer um produto com mais qualidade. A indústria de malha e roupa casual estão cada dia mais fortes, no entanto, temos de pensar num prêt-à-porter de luxo – comenta o estilista Reinaldo Lourenço.

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