Estudo revela que lares com jovens entre 12 e 19 anos gastam em média 5% a mais do que a receita familiar mensal
Qual adolescente não gosta de estar com a aparência legal, de consumir os últimos lançamentos tecnológicos, ou ainda, curtir as melhores baladas com a galera? Pois bem, os desejos de consumo dos "teens" estão levando as famílias brasileiras ao endividamento. Lares com jovens entre 12 e 19 anos gastam em média 5% a mais do que a receita familiar mensal. Nas residências em que eles não estão, a poupança corresponde a 5% do rendimento familiar. Os dados constam em uma pesquisa da Kantar Worldpanel, maior empresa de pesquisas de consumo domiciliar da América Latina.
Para estar sempre na moda, os adolescentes fazem seus pais gastarem até 43% mais com vestuário. O consumo de alimentos e bebidas fora do lar também pesa no orçamento. As saídas com a turma resultam em despesas 10% superiores com estes itens nas famílias com jovens em sua formação. Já a conversa por horas ao telefone e o uso da internet gera uma conta mensal, em média, 9% mais cara.
"Desde criança os pais devem mostrar aos filhos que o consumo não é tudo. É jogar as cartas na mesa, ensinando-os a viver dentro das possibilidades. É preciso fazer ressurgir os valores familiares, porque, de certa forma, esse consumo exacerbado é uma maneira que muitos pais criam para compensar a falta de atenção por trabalharem demais", avalia a coordenadora do Núcleo de Educação do Consumidor e Administração Familiar (Educon), do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Shandra Carmen de Aguiar.
Diálogo em família
Na casa da bancária Monique de Castro Justa, 40 anos, o diálogo próximo predomina com sua filha adolescente Aline Cristina Soares de Castro, estudante, 17 anos. "Ela tem dois cartões de crédito que funcionam como mesada. O limite de cada um é R$ 100,00, mas Aline é bem consciente. Além disso, também posso acompanhar pelo extrato mensal, como e onde ela gastou o dinheiro. Se achar que precisa de uma roupa ou um sapato, aí vamos avaliar. A gente negocia tudo. O segredo é a conversa", diz Monique.
Aline, por sua vez, é uma menina vaidosa, que acabou de passar no vestibular para Direito e que adora sair para se divertir com os amigos. No entanto, diz ser consumista na medida que a mãe permite. "Sei que comprometo o orçamento da família. Mas, minha mãe está totalmente certa em controlar minhas despesas. Tem que ter um limite. Acho que essa minha primeira experiência com o cartão de crédito me ajuda a ter controle com o dinheiro. Só uso em caso de emergência. Até porque, se estourar vou ter que arcar com o castigo de ficar sem sair", comenta a jovem.

Fonte: Diário do Nordeste
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