Enquanto no Rio e em São Paulo nós acompanhávamos de perto os lançamentos para o inverno deste ano, em Milão e Paris aconteciam os desfiles de moda masculina de Outono-Inverno 2010/11. Nas passarelas brasileiras, a moda masculina apareceu em apenas quinze marcas; já nas duas cidades européias foram 50 desfiles, entre eles o de grifes estreladas como Yves Saint Laurent, Armani, Prada, Emernegildo Zegna, Dior e Louis Vuitton.
Em temporadas passadas os desfiles europeus mostraram uma imagem de um homem mais ousado, conseguida por meio do uso de tecidos e formas antes restritos ao universo feminino, como a organza e os shapes bem acinturados. Para o Outono-Inverno 2010/11, parece que estas propostas ficaram de lado e as marcas investiram num homem mais real, sóbrio, retomando as peças clássicas do guarda-roupa masculino.
O que mais se viu na passarela foram as jaquetas de couro em versões bem tradicionais, como as do tipo aviador, motoqueiro ou de inspiração militar e que ganharam poucas inovações na sua forma.Os uniformes militares também inspiraram calças usadas dentro de coturnos, vistas à exaustão, tanto em marcas tradicionais quanto em grifes mais novas.

Desfile de John Galliano na semana de moda masculina de Paris (22/1/2010)
Paletó e gravata
Na moda mais formal, as grifes continuaram suas apostas no paletó de dois botões, em oposição ao onipresente de três botões, preferido de 9 entre 10 brasileiros, de acordo com marcas estabelecidas do nosso mercado, como a VR e a Vila Romana, que têm linhas de dois botões, mas com uma saída menor. Já Ricardo Almeida não apresenta paletós com três botões há mais de cinco coleções.
Outra aposta no estilo alinhado é a volta do jaquetão, aquele modelo eternizado pelos gangsteres norte-americanos das décadas de 20 e 30 e que voltou com força na década de 80 com os yuppies (os jovens que ficaram milionários por negociar ações da Bolsa de Valores).
Nesta onda careta que tomou conta do Hemisfério Norte, o toque jovem vem da silhueta skinny, bem rente ao corpo. Não é exatamente uma novidade, já que na década de 90 Heidi Slimane na Dior Homme fez sucesso com este shape inspirado no rock´n´roll.
No mais, as cores acompanharam esta sobriedade que cai bem em tempos de crise, com preto, cinza e tons terrosos que nunca saem de moda e dão a impressão que duram mais do que uma estação. Muito próximo do gosto dos homens que preferem comprar peças duráveis do que aquelas que têm cara de uma estação.
Autor: Ricardo Oliveros, arquiteto e mestre em arquitetura pela Escola de Engenharia de São Carlos/USP. Na Hora H, desistiu da prancheta. Há 15 anos trabalha como jornalista e é consultor de moda.
Fonte: Uol
Sindivestuário
R. Mário Amaral, 172 - 2° a. - Paraíso, São Paulo - SP - CEP 04002-020 / Fone: (11) 3889.2273 / Fax (11) 3889.2276
executivo@sindicatosp.com.br - sindivestsp@uol.com.br