A Carta IEDI desta semana traz um resumo do desempenho, em 2009, de três campos fundamentais da economia: emprego, setor externo e crédito. Em se tratando de um ano marcado pela crise internacional, esses segmentos seriam fortes candidatos a sofrer intensamente as adversidades do contexto de crise. Desta feita, embora tenha deixado marcas, a crise não gerou situações dramáticas e que pudessem paralisar as atividades desses três campos. Esta Carta IEDI reúne informações sobre esses temas e procura respostas para o sucesso brasileiro em controlar os efeitos da crise internacional. 

Emprego

Os últimos meses de 2009 mostraram uma reação mais consistente do emprego, com a plena recuperação do mercado de trabalho no final de 2009. Um dos principais destaques dessa recuperação é o desemprego registrado em dezembro último. Segundo o IBGE, a taxa de desocupação nas seis regiões metropolitanas ficou em 6,8% da População Economicamente Ativa, a mesma taxa observada em dezembro de 2008 e a menor de toda a série histórica, iniciada em março de 2002. A taxa de desocupação média de 2009 (8,1%) também ficou muito próxima da taxa média de 2008 (7,9%).
 

Outro ponto positivo relacionado ao mercado de trabalho em 2009 diz respeito aos ganhos da ocupação. A média dos rendimentos médios reais ao longo de 2009 aumentou 3,2% frente à média do ano de 2008. Por sua vez, a massa de rendimentos da população ocupada, calculada pelo IEDI a partir dos dados de população ocupada e de rendimento médio, cresceu 3,9% em 2009 frente a 2008. Esses resultados são muito importantes, pois dizem respeito à evolução do poder de compra das famílias, um dos motores fundamentais do consumo interno e tão caro, hoje em dia, para o dinamismo da economia brasileira.
 

 Setor externo

Já, no setor externo da economia brasileira, o fluxo líquido total de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) atingiu US$ 25.949 milhões em 2009, 42,4% inferior ao registrado em 2008. No entanto, esse resultado deve ser relativizado. Em primeiro lugar, o valor atingido por esse fluxo em 2008 foi recorde da série histórica do BCB. Em segundo lugar, segundo a Unctad, o Brasil manteve em 2009 a liderança na absorção de IDE na América Latina. Em terceiro lugar, o fluxo líquido de IDE (modalidade mais estável de capital externo) foi superior ao déficit de US$ 24.334 milhões nas transações correntes, o que significa dizer que a despeito da queda foi suficiente para financiar todo o resultado negativo do setor externo brasileiro. Em quarto lugar (mas não menos importante que os demais), o IDE funcionou ao longo do primeiro semestre como mecanismo compensador da retração dos investimentos estrangeiros de portfólio, atenuando o impacto da crise financeira internacional sobre as contas externas brasileiras.
  

Em 2010, a perspectiva é de aumento do déficit em transações correntes num contexto de crescimento econômico mais expressivo (que pressionará as importações e as remessas de lucros e dividendos, que são pró cíclicas), mas também de recuperação nas economias avançadas e nos seus respectivos sistemas financeiros (mesmo que permeada de incertezas e, assim, de volatilidade nas expectativas), o que deve garantir um bom resultado para o IDE e para as demais modalidades de capitais externos, que devem atingir um valor mais do que suficiente para financiar aquele déficit.
 

Crédito

 Por sua vez, ao se considerar o comportamento do o mercado brasileiro de crédito em 2009, deve-se observar que o crédito para as pessoas físicas cresceu expressivamente e que a indústria foi o setor de atividade mais afetado pelo contágio da crise financeira internacional. Com a gradual recuperação da atividade industrial ao longo de 2009, o crédito ao setor ensaiou uma recuperação no último trimestre, que não foi suficiente para evitar uma queda real no acumulado do ano de 1,5%. A queda poderia ter sido muito mais expressiva caso os bancos públicos não tivessem atuado de forma anticíclica. A tendência de aumento dos financiamentos industriais nos últimos meses do ano passado favorece a perspectiva de boa evolução do crédito industrial em 2010. A propósito, nesse ano as operações de crédito às pessoas jurídicas devem ganhar dinamismo com a retomada do crescimento econômico.

Fonte: http://www.iedi.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=iedi&sid=50&infoid=4489

Texto editado pela redação do Sindivestuário

Sindivestuário
R. Mário Amaral, 172 - 2° a. - Paraíso, São Paulo - SP - CEP 04002-020 / Fone: (11) 3889.2273 / Fax (11) 3889.2276
executivo@sindicatosp.com.br - sindivestsp@uol.com.br

omdi